REVIEW #004: TRILOGIA DAS CORES - A LIBERDADE É AZUL (1993)

Direção: Krzysztof Kieslowski
Produtores: Marin Karmitz
Roteiro: Krzysztof Piesiewicz, Krzysztof Kieślowski, Agnieszka Holland e Edward Zebrowski
Lançado em 8 de setembro de 1993
Duração: 1 h 40 Min.
País: França / Polônia / Suíça
NOTA: 8,5



Krzysztof Kieslowski iniciou a jornada da trilogia das cores com o Azul. A cor representa o pilar central do desenrolar da história, a tristeza, o luto, a depressão, a monotonia, a frieza. Ela também é acentuada em diversos momentos dramáticos, sempre acompanhada por uma trilha sonora.
  

Julie (Juliette Binoche) sofre um acidente de carro, que vitimiza o marido e a filha de 5 anos. Entorpecida pela tristeza, Julie tenta se suicidar e não consegue. Frente a situação de ter que lidar com as perdas e seguir sua vida, acaba por receber a encomenda para finalizar a composição do esposo, sobre a unificação da Europa.


Seus empregados sentem a falta dos falecidos, porém ela tenta não demonstrar tristeza, embora possua demônios internos. Uma cena curiosa: Julie, sentada ao chão, se perde em pensamentos enquanto vemos um espectro azul passando pelo seu rosto, numa metáfora para a confusão mental.


A raiva faz com que ela destrua as partituras da composição, um belíssimo recorte de cena, enquanto o carro do lixo destrói os papeis, ouvimos a música se desfazer. O remorso é amplificado quando Julie tem relações com outro homem, amigo da família. Vemos a antológica cena do muro (feitas sem utilização de dublês), onde a atriz se machuca de verdade, humanizando a personagem. Mesmo buscando o recomeço e esquecer o passado, ela leva consigo para o novo apartamento, uma guirlanda de pedras azuis, no sentido de que mesmo que tente, ela ficará com um vazio. A história não para por aí, depois do azul, vem o branco.


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