REVIEW #002: PSICOSE (1960)

Direção: Alfred Hitchcock
Produtor: Alfred Hitchcock
Roteiro: Joseph Stefano, baseado em ‘Psycho’ de Robert Bloch
Lançado em: 16 de junho de 1960
Duração: 1h 49 min.
País: Estados Unidos
NOTA: 8,8

Na primeira vez que li sobre ‘Psicose’, ainda não tinha a total dimensão de quem era Alfred Hitchcock e do que ele representa para a história do cinema e do suspense. O lado bom de ter assistido a esse filme (quando criança e no final da adolescência) é ter como contar essa história sob a ótica de duas pessoas diferentes: a criança assustada com a cena do chuveiro e o adolescente fascinado por tudo que estava vendo na tela.

Após o sucesso comercial (e o fracasso no Oscar) do Intriga Internacional (1959), o diretor precisava se reinventar. E foi por um livro de temática controversa, baseado ligeiramente nos crimes do serial killer Ed Gein, que Hitchcock se viu apaixonado. Com a recusa do estúdio, o diretor concordou em pagar do próprio bolso os custos do filme, em troca por adquirir os direitos sobre os negativos e todo o lucro do filme, além de ter a liberdade artística para gravar o que quisesse.


Marion Crane (Janet Leigh) aturdida por seu relacionamento amoroso, vê-se em uma dicotomia moral após roubar 40 mil dólares de um dos clientes da firma onde trabalha. Nessa confusão, em busca de um local para dormir, encontra o Bates Motel, administrado por Norman Bates (Anthony Perkins).
É notável que o peso moral da atitude de Marion fique explicita para Norman, que percebe que algo na história daquela mulher não condiz com a realidade. Talvez este tenha sido o gatilho que a mãe de Norman precisava para agir. Vale ressaltar que ambos, Leigh e Perkins, estão brilhantes no filme. O diretor teve a ousadia de matar a protagonista na metade do filme, algo que nos padrões tradicionais quebraria o clímax e o andamento do roteiro. A cena viria a se tornar um marco na história do cinema. 

 
Minha crítica fica para o desfecho do filme, quando a verdade é descoberta e falam sobre o que aconteceu com Norman Bates. A explicação se torna um pouco vaga, embora a última cena me assuste até hoje. Vemos a tela fechar sob o olhar demoníaco de Norman Bates.
Mesmo com um orçamento relativamente econômico, o diretor conseguiu mostrar que podia sim fazer um filme de qualidade e em pouco tempo, tendo a sua disposição, a equipe do seu especial de TV. Outro fator importante para o burburinho futuro, foi a divulgação de detalhes sobre a produção e as gravações das cenas. Jornalistas e curiosos eram barrados na entrada do estúdio e todos os envolvidos tinham feito uma promessa para o diretor que nenhuma informação sairia dali. Nem mesmo o dono do estúdio tinha conhecimento do que acontecia ali.


Na época do lançamento do filme, apesar das críticas (em sua maioria, negativas, como de costume para um filme de Hitchcock), foi visto uma pesada divulgação, muito diferente do que aconteceu no filme anterior. A divulgação incluía informativos para os donos dos cinemas, descrevendo a forma certa de reproduzir a película, além de gravações de áudio do próprio diretor explicando aos clientes, como ter a total experiência de Psicose. O filme teve um remake em 1998, com Anne Heche e Vince Vaugh, desnecessária e totalmente esquecível.

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