Direção: Fernando Meirelles
O descaso das autoridades, irrefutáveis regras de convivência e segurança nos exibe o futuro cenário caótico o qual seremos apresentados. Esses indivíduos isolados, sem nomes, perdem sua humanidade em meio a um ambiente de total anarquia, principalmente quando necessário sanar a fome.
Produtores: Niv Fichman, Andrea Barata Ribeiro e Sonoko Sakai
Roteiro: Don McKellar baseado no 'Ensaio Sobre A Cegueira', de José Saramago
Lançado em 3 de Outubro de 2008
Duração: 2h 01min.
Roteiro: Don McKellar baseado no 'Ensaio Sobre A Cegueira', de José Saramago
Lançado em 3 de Outubro de 2008
Duração: 2h 01min.
País: Brasil / Canadá / Japão
Nota: 9,4
O que você faria se do absoluto nada, perdesse a visão? E se
por esse motivo, o governo te retirasse de casa com poucos pertences e te
jogasse em quarentena com outros enfermos. Ali você teria que se adaptar a esse
novo ambiente, ao ‘mal branco’ assim denominado.
Coube ao diretor Fernando Meirelles traduzir para a
linguagem cinematográfica o denso e confuso livro de José Saramago. A
personagem principal, a mulher do médico (faço aqui uma referência a descrição
dada no livro), é a única que não perdeu a visão e além de escolher ajudar o
marido (o médico), permanece calada quando indagada sobre sua visão.
O descaso das autoridades, irrefutáveis regras de convivência e segurança nos exibe o futuro cenário caótico o qual seremos apresentados. Esses indivíduos isolados, sem nomes, perdem sua humanidade em meio a um ambiente de total anarquia, principalmente quando necessário sanar a fome.
Retiro da parte mais agonizante do filme a questão de
sobrevivência frente a anarquia. Até onde você estaria disposto a ir, para
conseguir se alimentar? Você conseguiria deixar questões morais de lado? Sobre
a atitude da mulher do médico, senti que ela teria outro tipo de motivação para
participar do ato. Afinal, o médico a traiu.
Com o motim e a fuga da quarentena, vemos a busca por
abrigo, segurança e principalmente comida. Entramos em outra questão, refletida
quando os enfermos recuperam a visão. E aquela que não a perdeu (a mulher do
médico), o que de diferente ela tem para que fosse imune ao ‘mal branco’? A
única que possuía ‘intimidade’, torna-se vista ao mundo, exposta. E o que acontece a seguir? Um confronto com uma
sociedade mais lúcida em relação ao todo.





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